Depende do grau de surdez. Quem apresenta algum nível de audição e estabeleceu a língua portuguesa como seu código de comunicação vai pensar em português. Já quem nasceu 100% surdo, mas foi educado com a língua de sinais, irá pensar com os gestos feitos para emitir cada mensagem.

“Ao adquirir a língua de sinais, o surdo passa a associar imagens aos sinais, da mesma forma que o ouvinte associa imagens aos sons da fala”, explica Olga Freitas, coordenadora de pós-graduação em Educação Especial da UCB.
Quanto aos que nunca foram expostos à língua de sinais, não se sabe exatamente como seu cérebro funciona em termos de linguagem. “Às vezes, o desenvolvimento da linguagem é tão rudimentar que é quase instintivo: fome, sede, vontade de dormir”, diz Osmar Neto, otorrinolaringologista e professor da FCMSCSP.
Quem criou a linguagem de sinais para os surdos?
Foi o abade francês Charles-Michel. Na metade do século XVIII, ele desenvolveu um sistema de sinais para alfabetizar crianças surdas que serviu de base para o método usado até hoje. Na época, as crianças com deficiências auditivas e na fala não eram alfabetizadas.
O abade fundou, em 1755, a primeira escola para surdos, ensinando o alfabeto a seus alunos com gestos manuais descrevendo letra por letra. Esse método foi, então, aperfeiçoado ao longo dos séculos nos vários países onde foi adotado. “Em 1856, o conde francês Ernest Huet, que era surdo, trouxe ao Brasil a língua de sinais francesa”, afirma Moisés Gazale, diretor da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis), no Rio de Janeiro.
Essa globalização do sistema foi facilitada pelo fato de os sinais também representarem – além das letras – conceitos como fome ou sono, permitindo a comunicação entre pessoas de diferentes nacionalidades.

Em 1966, o médico americano Orin Cornett deu uma importante contribuição a essa linguagem, unindo a utilização dos sinais com a leitura labial. Hoje, cada país tem sua própria linguagem de sinais para surdos. Todas elas derivam do alfabeto manual francês, mas podem apresentar pequenas variações em função da gramática local. No Brasil o sistema é conhecido como Libras: Língua Brasileira de Sinais.
Fonte: Mundo Estranho
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