Cauê conversava com o doutor Drauzio basicamente sobre a série Drauzio Dichava que estreou no YouTube em que o médico aborda a história da cannabis, seus efeitos no cérebro, reflexões sobre a guerra às drogas e as políticas relacionadas a elas.
Por volta de 49:55 no vídeo, Cauê diz: “Queria te fazer uma outra pergunta que eu acho que não foi tratado na série e que aí você até falou aqui quando estávamos falando sobre vício… Que a gente comparou ali a maconha com a cocaína e o álcool e o cigarro, nicotina e tudo mais, mas destes a maconha é a única que não causa dependência química…”, Drauzio então o interrompe: “Causa sim!” e continua dizendo que a intenção é fazer sobre o assunto um debate mais aprofundado.
“…o que acontece é o seguinte: toda vez que você sente um prazer, essa sensação de prazer vem de onde? Vem do cérebro né? Lógico! É o cérebro que comanda a gente. O cérebro entende como sendo uma coisa boa. Nós estamos aqui em um ambiente refrigerado, agradável. A gente sai ali no meio da [ avenida ] Faria Lima, tá calor lá fora. Você fica com vontade de voltar pro estúdio aqui que tá mais agradável né? Assim é, você tem prazer em uma relação sexual, passa uns dias o cérebro quer que se repita aquele prazer.” — disse Drauzio.
O doutor seguiu explicando como que isso acontece: “Como é feito isso? Você tem áreas do cérebro que recolhem essas sensações de prazer (são várias áreas) e quando você tem essa sensação de prazer, essas cadeias de neurônios, esse conjunto de neurônios vai ativar o que a gente chama de “centro da busca”. Centro da busca é esse que a gente diz: “Olha, tá na hora de repetir aquele prazer que eu tive” e isso vai ficando uma coisa forte. Quando você estimula essa sensação de prazer repetidamente, repetidamente, você ativa o centro da busca e perde o controle dele. Controle voluntário, eu digo. Você acha que o cara que a gente vê caído na sarjeta ali porque acordou de manhã, já tomou uma pinga e com a pinga ele já cai e dorme, ele tá tendo algum prazer? Não tá mais…”
Drauzio Varella continuou relando exemplos de casos de dependentes de cocaína que viu em suas visitas as prisões e no final concluiu: “Com a maconha o mecanismo é o mesmo! É exatamente o mesmo! E como a droga é fumada, o efeito é rápido proporcionalmente. Quanto mais rápido é o efeito entre o estímulo e o prazer, mais vicia.”
Entre as opiniões polêmicas que deu o médico no programa, está a que ele diz ser muito mais fácil deixar de ser um usuário de crack do que de cigarro: “É mais difícil parar de fumar cigarro do que você parar de fumar (sic) crack.”, disse o médico.
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