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03/02/2019

Viagem no tempo pode ser possível, de acordo com o último livro de Stephen Hawking

"Se alguém fizesse um pedido de bolsa de pesquisa para trabalhar em viagem no tempo, ele seria demitido imediatamente", escreve o físico Stephen Hawking em seu livro póstumo, Brief Answers to the Big Questions (breves respostas para grandes perguntas, em tradução livre). Ele estava certo. Mas ele também estava certo ao perguntar se a viagem no tempo possível é uma “questão muito séria” que ainda pode ser abordada cientificamente. 


Argumentando que nosso entendimento atual não pode descartá-lo, Hawking foi cautelosamente otimista. Então, onde isso nos deixa? Não podemos construir uma máquina do tempo hoje, mas poderíamos no futuro? Vamos começar com nossa experiência cotidiana. Nós aceitamos a capacidade de ligar para nossos amigos e familiares onde quer que eles estejam no mundo para descobrir o que eles estão fazendo agora. Mas isso é algo que nunca podemos realmente saber. 

Os sinais que transportam suas vozes e imagens viajam de forma rápida, mas ainda leva um tempo finito para que nos alcancem. Nossa incapacidade de acessar o “agora” de alguém distante está no coração das teorias de espaço e tempo de Albert Einstein.

Velocidade da luz 

Albert Einstein disse que espaço e tempo são partes de uma coisa – espaço-tempo – e que devemos estar tão dispostos a pensar sobre distâncias no tempo quanto distâncias no espaço. Por mais estranho que isso possa soar, ficamos felizes em responder “cerca de duas horas e meia”, quando alguém pergunta o quão longe Birmingham está de Londres, no Reino Unido. 

O que queremos dizer é que a jornada leva "tanto tempo a uma velocidade média" de 50 quilômetros por hora. Matematicamente, nossa declaração equivale a dizer que Birmingham fica a cerca de 200 quilômetros de Londres. Como os físicos Brian Cox e Jeff Forshaw escrevem no livro Por que E = mc²?, tempo e distância “podem ser trocados usando algo que tem a velocidade de uma velocidade”. 

O salto intelectual de Einstein era supor que a taxa de câmbio de um tempo para uma distância no espaço-tempo é universal – e é a velocidade da luz. A velocidade da luz é a mais rápida que qualquer sinal pode percorrer, colocando um limite fundamental em quanto tempo poderemos saber o que está acontecendo em outras partes do universo. 

Isso nos dá “causalidade” – a lei de que os efeitos devem sempre vir depois de suas causas. É um grave espinho teórico do lado dos protagonistas viajantes do tempo. Para eu viajar de volta no tempo e colocar em movimento os eventos que impedem meu nascimento é colocar o efeito (eu) antes da causa (meu nascimento). Agora, se a velocidade da luz é universal, devemos medi-la para ser o mesmo – 299.792.458 metros por segundo no vácuo – por mais rápido que nos movamos. 

Einstein percebeu que a consequência da velocidade da luz ser absoluta é que o espaço e o tempo em si não podem ser. E acontece que os relógios móveis devem ser mais lentos que os estacionários. Quanto mais rápido você se mover, mais lento será o seu relógio em relação ao que você está passando. A palavra "relativo" é a chave: o tempo parecerá passar normalmente para você. Para todos que estão parados, no entanto, você estará em câmera lenta. Se você fosse se mover na velocidade da luz, você pareceria congelado no tempo – no que diz respeito a você, todos os outros estariam adiantados. Então, se viajássemos mais rápido que a luz, o tempo correria para trás, como nos ensinou a ficção científica? Infelizmente, é preciso energia infinita para acelerar um ser humano à velocidade da luz, muito menos além dela. 

Mas, mesmo que pudéssemos, o tempo não seria simplesmente atrasado. Em vez disso, não faria mais sentido falar de adiantado e atrasado. A lei da causalidade seria violada e o conceito de causa e efeito perderia seu significado. Buracos de minhoca Einstein também nos disse que a força da gravidade é uma consequência da maneira como a massa distorce o espaço e o tempo. Quanto mais massa nos espremermos em uma região do espaço, mais espaço-tempo será deformado e os relógios próximos mais lentos serão acionados. 

Se espremermos massa suficiente, o espaço-tempo ficará tão deformado que até a luz não poderá escapar de sua atração gravitacional e um buraco negro será formado. E se você se aproximasse da borda do buraco negro – seu horizonte de eventos – seu relógio marcaria infinitamente lentamente em relação àqueles distantes dele. Então, poderíamos distorcer o espaço-tempo da maneira certa para se fechar e viajar no tempo? A resposta é talvez, e a deformação que precisamos é de um buraco de minhoca atravessável. Mas também precisamos produzir regiões de densidade de energia negativa para estabilizá-la, e a física clássica do século XIX impede isso. 

A teoria moderna da mecânica quântica, no entanto, talvez não. De acordo com a mecânica quântica, o espaço vazio não está vazio. Em vez disso, ele é preenchido com pares de partículas que entram e saem da existência. Se pudermos criar uma região onde menos pares possam entrar e sair do que em qualquer outro lugar, então essa região terá densidade de energia negativa. 

No entanto, encontrar uma teoria consistente que combine a mecânica quântica com a teoria da gravidade de Einstein continua sendo um dos maiores desafios da física teórica. Um candidato, a teoria das cordas (mais precisamente a teoria-M), pode oferecer outra possibilidade. A teoria-M exige que o espaço-tempo tenha 11 dimensões: a de tempo e a de três de espaço em que nos movemos e mais sete, enroladas de forma invisivelmente pequena. Poderíamos usar essas dimensões espaciais extras para encurtar o espaço e o tempo? Hawking, pelo menos, estava esperançoso. 

Salvando história 

Então a viagem no tempo é realmente uma possibilidade? Nosso entendimento atual não pode descartá-la, mas a resposta provavelmente é não. As teorias de Einstein não descrevem a estrutura do espaço-tempo em escalas incrivelmente pequenas. E, embora as leis da natureza muitas vezes possam estar completamente em desacordo com nossa experiência cotidiana, elas são sempre autoconsistentes – deixando pouco espaço para os paradoxos que abundam quando nos mexemos com causa e efeito na tomada de viagem no tempo pela ficção científica. 

Apesar de seu otimismo lúdico, Hawking reconheceu que as leis desconhecidas da física que um dia substituirão as de Einstein podem conspirar para evitar que objetos grandes como eu e você pulem casualmente (e não causalmente) para trás e para frente no tempo. Chamamos esse legado de sua “conjectura de proteção cronológica”. Quer o futuro tenha ou não máquinas do tempo na loja, podemos nos consolar com o conhecimento de que, quando subimos uma montanha ou avançamos em nossos carros, mudamos a maneira como o tempo passa. Então, no dia de "fingir ser um viajante do tempo", celebrado em 8 de dezembro, lembre-se de que você já é – só não da maneira como esperava. 

Peter Millington é pesquisador do Grupo de Cosmologia de Partículas da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no The Conversation.

06/10/2018

Maconha é mais prejudicial do que o álcool para jovens, segundo estudo

Um teste feito por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, aponta que a maconha causa mais impacto sobre as habilidades de raciocínio, memória e comportamento dos adolescentes do que o álcool. A pesquisa foi publicada pela rede britânica BBC.

O estudo acompanhou e fez o teste com 3.800 adolescentes, de 31 escolas canadenses, durante quatro anos, iniciando em jovens de 13 anos de idade. O estudo aponta que os adolescentes que usam maconha estão causando danos duradouros em seus cérebros que ainda estão em processo de desenvolvimento.

O estudo indica que tanto o álcool como as drogas ilícitas, como a maconha, causam problemas de cognição dos adolescentes, inclusive influenciando em tomada de decisões e no desempenho na escola.


Ainda conforme os pesquisadores, com o consumo de maconha os problemas são maiores comparado ao consumo de álcool, já que os efeitos duram mais tempo — o efeito do álcool passa mais rápido.

Para fazer a pesquisa, os alunos detalhavam seus hábitos de consumo de drogas e bebida uma vez por ano e os pesquisadores testavam as habilidades cerebrais com base em testes cognitivos feitos em computadores.

Dos adolescentes pesquisados, 28% disseram ter consumido maconha de alguma forma, enquanto o álcool foi consumido por 75% dos adolescentes testados.

Fonte: R7

23/06/2018

Especialistas contrariam a OMS e dizem que não existe “vício em videogame”

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde incluiu o vício em videogames na sua lista oficial de doenças. O transtorno estaria relacionado à baixa autoestima, depressão e mal-estar. Mas, para muitos profissionais da área, a OMS está se ficando meio precipitada demais, até porque os estudos a respeito desse assunto não são tão conclusivos assim.


Os especialistas argumentam que ainda não sabemos o suficiente para afirmar que exista, de fato, um distúrbio relacionado a games, dizendo que as evidências para isso são inconsistentes, com critérios muito amplos para se determinar se uma pessoa está, de fato, "viciada" em games — ou se o "buraco" é mais embaixo.

Para a OMS, pode ser diagnosticado como viciado em games aquele que prefere fortemente jogar em vez de fazer outras atividades, não parando de jogar mesmo quando há consequências negativas em sua vida pessoal e profissional, com tudo isso acontecendo há pelo menos um ano. Mas, entre os argumentos que defendem que não existe vício em games como sendo uma doença está a ideia de que um diagnóstico mais amplo, como o da depressão, por exemplo, pode ser mais assertivo.


"Você pode eliminar facilmente a palavra 'jogo' e colocar 'sexo' ou 'comida' no lugar", na hora de falar em vícios do tipo, segundo o psicólogo do Instituto de Internet de Oxford, Andrew Przybylski. Para ele, a definição de vício em games não diz nada sobre quais tipos de jogos ou quais recursos deles podem ser viciantes e, por isso, é algo muito amplo. O especialista acredita que a definição da OMS "pode levar a uma espécie de patologização de todos os aspectos da vida".

Já Michelle Colder Carras, pesquisadora de saúde pública da Universidade Johns Hopkins, acredita que, apesar de ser inegável que existam pessoas que sofrem porque jogam muito videogame, essas pessoas geralmente podem receber tratamento psiquiátrico sob um diagnóstico mais amplo, incluindo depressão e ansiedade. Pessoas depressivas e/ou ansiosas comumente procuram por válvulas de escapes, e a tecnologia é apenas uma delas.

Outro argumento dado pelos especialistas a fim de derrubar a classificação da OMS é que não há dados concretos para calcular quantas pessoas podem ter um real vício em jogos eletrônicos. Esses dados costumam ser coletados a partir dos próprios usuários que se autodenominam "viciados" em games. Há estudos, por exemplo, que mostram uma taxa de 1% de pessoas viciadas em jogos, enquanto outros sugerem taxas até 100 vezes maiores, não havendo, portanto, uma consistência.


Por fim, esse diagnóstico amplo demais pode estigmatizar os jogadores, levando a mais equívocos nesse sentido. Carras usou como argumento para essa ideia um recente artigo publicado no Observer, que sugeria que tal diagnóstico poderia ajudar a evitar tiroteios em escolas, insinuando que os games seriam causadores desse tipo de violência. "Há um risco de pânico moral com pessoas que não entendem os videogames, com crianças sendo levadas a um tratamento que não precisariam", disse Carras.

Vale ressaltar que a OMS está evitando usar a palavra "vício", preferindo rotular a classificação como "transtornos devido ao comportamento obsessivo". E este é outro problema, na visão de Przybylski: "Acho muito intencional que eles tenham evitado o uso do termo 'vício' e usado um termo ambíguo como 'transtorno'". Em sua opinião, "se existem pessoas que sofrem, por que não chamar de vício?", questiona. Ele encerra seus argumentos dizendo que "se começarmos a criar todos esses 'vícios', que em sua maioria são comportamentos normais, isso pode desviar recursos daqueles que sabemos que causam sofrimento real".

12/06/2018

Biólogo afirma ter transferido a memória de uma lesma para outra

Durante 45 anos de sua vida, o neurocientista Eric Kandel, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina no ano 2000, dedicou-se ao estudo da aplísia, uma espécie de lesma-do-mar. Interessado em descobrir os processos que envolvem nossa memória, buscou estudar o animal com o sistema nervoso mais simples que encontrou.

Seus experimentos se saíram melhor do que o esperado. Descobriu que nossos neurônios fazem mais ou menos as mesmas coisas que o gosmento ser marinho, com a diferença de que na gente eles se apresentam em em maior número. Assim, conseguiu identificar os genes e proteínas que possibilitam a permanência da memória nos neurônios.

Suas descobertas serviram de base para que outros pesquisadores aprofundassem os conhecimentos sobre a memória. Agora, um grupo de biólogos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, afirma ter conseguido transferir a memória de uma lesma-do-mar para outra.


Para isso, os cientistas deram leves choques elétricos na cauda do bicho repetidas vezes, fazendo com que aumentasse o reflexo da lesma de se contrair diante à agressão. Por fim, esses apresentavam contração defensiva cada vez mais longas, chegando a 50 segundos. Um tipo simples de aprendizado conhecido como "sensibilização".

Os pesquisadores extraíram o RNA dos sistemas nervosos dessas lesmas traumatizadas e injetaram em sete que não receberam nenhum choque. Esses, passaram a se contrair em defesa como se elas próprias tivessem levado os choques, um processo que durou 40 segundos, em média. "É como se tivéssemos transferido a memória", afirma David Glanzman, autor do estudo e professor de biologia e fisiologia integrativa da UCLA.

Em seguida, os pesquisadores pegaram amostras de neurônios de lesmas normais e, em uma placa de Petri, misturaram com o RNA de animais que tiinham levado os choques e outros que não. Descobriram que, assim como acontece no corpo vivo da lesma, os neurônios que tiveram contato com a substância extraída das lesmas torturadas apresentou mais excitabilidade.

O biólogo está animado com a descoberta, que, segundo ele, pode servir como base para desenvolver a cura para doenças — em humanos, não lesmas. "Eu acho que, em um futuro não muito distante, poderíamos potencialmente usar RNA para melhorar os efeitos do tratamento do Alzheimer ou transtorno de estresse pós-traumático."

Fonte: Galileu

03/06/2018

Fazer faxina por apenas 20 minutos na casa é capaz de reduzir estresse, segundo estudo

Um estudo publicado em 2008 na revista científica British Journal of Sports Medicine, sugere que fazer faxina por apenas 20 minutos seguidos por semana já é capaz de trazer inúmeros benefícios para a saúde mental.

O objetivo dos pesquisadores da University College, em Londres, era estabelecer quais atividades físicas traziam mais benefícios para a saúde mental e quantificar o tempo necessário para que os exercícios tivessem impacto psicológico. 

Os resultados indicam que são necessários 20 minutos seguidos de exercício – o suficiente para deixar a pessoa ofegante – para que a atividade física provoque uma "melhora no humor" e diminua o estresse. 


A equipe de pesquisadores estabeleceu ainda que as atividades mais apropriadas seriam a faxina, a jardinagem, a caminhada e a prática de esportes. 

Resultados

Para chegar aos resultados, a equipe perguntou a 20 mil pessoas quanto tempo e que tipo de exercícios praticavam semanalmente, além de questões sobre o estado de saúde mental. Dos voluntários, 16% (3,2 mil) sofriam de algum tipo de estresse ou ansiedade. 

De acordo com o estudo, os praticantes de esportes reduziam os riscos de estresse em cerca de 30%, enquanto a caminhada e as atividades domésticas como faxina e jardinagem contribuem para uma redução de 20%. 

"Muitos estudos sugerem o benefício da prática de exercícios na saúde mental, mas pela primeira vez conseguimos quantificar o tempo necessário para que a atividade faça diferença", disse Mark Hamer, que liderou o estudo. 

"No entanto, é uma questão como a do o ovo e a galinha, já que a maioria das pessoas que sofrem de estresse ou ansiedade são menos propensas a praticar exercícios físicos", explicou. 

Apesar dos resultados, a equipe afirma que o próximo passo da pesquisa será descobrir quais os mecanismos que influem na relação entre a atividade física e a saúde mental. 

Segundo a ONG Sane, que trabalha com saúde mental, as razões do estresse são geralmente pouco compreendidas e em casos mais sérios, as pessoas precisam procurar ajuda profissional. 

No entanto, o porta-voz da organização, Richard Colwill, afirmou que os resultados do estudo podem contribuir para uma melhora nas pessoas que sofrem de problemas de saúde mental. 

"A pesquisa oferece esperança de que pequenas mudanças no estilo de vida podem contribuir para o bem-estar psicológico", disse Colwill. 

"O cérebro é um órgão tão 'físico' quanto o coração ou os pulmões. Por isso, não deve ser uma surpresa que pequenas quantidades de exercícios regulares podem contribuir para uma redução nos problemas psicológicos", concluiu. 

Aeróbica

Uma outra pesquisa publicada na mesma revista científica também trata dos benefícios do exercício físico, mas entre os mais velhos. 

O estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, sugere que fazer exercícios aeróbicos regularmente na meia-idade pode aumentar a expectativa de vida em até 12 anos e ajudar a prolongar o período de vida independente. Segundo a pesquisa, que analisou 400 pessoas com idade entre 55 e 85 anos, a prática freqüente de exercícios aeróbicos “treina” o corpo a usar o oxigênio para gerar energia de maneira mais eficaz.  Lorna Layward, diretora de pesquisas da ONG Help the Aged, que trabalha com idosos, “nunca é tarde para começar a fazer exercícios”. 

"Quando as pessoas ouvem a palavra 'aeróbico', tendem a pensar em Lycra e roupas de ginástica, mas existem vários tipos de atividades desta espécie, como dançar ou nadar, que podem fazer uma diferença enorme", disse Layward. 

"Existe uma suposição de que a aposentadoria significa colocar os pés para cima e relaxar, mas gradualmente estamos observando que se manter ativo pode trazer vários tipos de benefício", concluiu. 

Fonte: G1

30/04/2018

Uso de maconha aumenta risco de problemas de ereção, segundo pesquisa

Uma pesquisa realizada por uma universidade canadense mostrou evidências de que assim como o consumo de cigarro, o consumo de maconha pode também afetar de forma negativa o desempenho sexual masculino. Isso porque seu uso pode causar problemas de ereção.

A pesquisa da Queen´s University, no Canadá, vai além do conhecimento já disseminado de que a maconha pode afetar certos receptores no cérebro. De acordo com o estudo do pós-doutorando do Departamento de Farmacologia e Toxicologia, Rany Shamloul, esses receptores também existem no pênis.

O consumo de maconha pode ter um efeito contrário sobre esses receptores do pênis, tornando mais difícil para um homem alcançar e manter uma ereção.

Segundo o pesquisador, os resultados mudam o atual entendimento do impacto do uso da maconha sobre a saúde sexual.


O pesquisador alerta que nem todos os usuários de maconha conhecem os efeitos que ela traz ao organismo.

A maconha é a droga ilícita mais usada globalmente. E ela é frequentemente usada por jovens, pessoas sexualmente ativas que não estão cientes dos efeitos danosos que podem ter sobre seu desempenho e saúde sexual.

Fonte: R7

28/04/2018

Vírus Zika ataca e destrói câncer em experimento científico brasileiro feito na USP

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o vírus da zika é capaz de infectar e matar as células de tumores cerebrais com grande eficácia, sem causar danos às células saudáveis.

De acordo com os autores da pesquisa, os resultados sugerem que, no futuro, vários tipos de tumores agressivos do sistema nervoso central poderiam ser tratados com algum tipo de abordagem envolvendo o uso do vírus da zika, conhecido por sua preferência por atacar células do cérebro em formação.

Realizada por cientistas do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, sob coordenação da geneticista Mayana Zatz, nesta quinta-feira, 26, na revista científica Cancer Research, da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.

Segundo Keith Okamoto, autor principal da pesquisa, estudos anteriores já haviam mostrado que o vírus da zika tem uma grande afinidade por células do sistema nervoso central, em especial as células-tronco neurais, que dão origem aos neurônios.

Assim, quando um feto é infectado, o vírus ataca seu sistema nervoso e reduz drasticamente a quantidade de células-tronco neurais, gerando problemas como a microcefalia.

Por outro lado, segundo Okamoto, estudos feitos pelo grupo da USP sobre tumores do sistema nervoso central mostravam que as células que compõem esses tumores têm características semelhantes às das células-tronco neurais e estão ligadas ao processo de disseminação do câncer – a metástase.


“Essas células tumorais são especialmente resistentes aos tratamentos convencionais como quimioterapia e radioterapia. Por isso decidimos investigar se o vírus da zika, que infecta células-tronco normais, poderia também infectar e matar as células tumorais que têm características de células-tronco”, disse Okamoto ao Estado.

Para realizar a pesquisa, os cientistas infectaram com zika células humanas derivadas de dois tipos de tumores cerebrais que afetam especialmente crianças de até cinco anos de idade: meduloblastoma e tumor teratóide rabdóico atípico. O procedimento também foi feito com células de câncer de mama, de próstata e de intestino.

Em um dos experimentos, os pesquisadores utilizaram essas células tumorais humanas para induzir o crescimento de tumores cerebrais “humanos” em camundongos.

Depois de desenvolver o câncer em estágio avançado, os animais receberam uma injeção com o vírus da zika. Os tumores regrediram em 20 dos 29 animais tratados com o vírus – em sete deles, a remissão foi completa e o tumor desapareceu. O vírus também bloqueou e reverteu metástases.

“O estudo mostrou que o vírus da zika de fato possui afinidade com as células do sistema nervoso central, infectando e matando as células tumorais de forma seletiva. O mesmo não ocorreu com os tumores de mama, próstata e intestino. As células-tronco tumorais se mostraram ainda mais suscetíveis a serem destruídas pelo vírus do que as células-tronco sadias. Observamos também que o vírus não foi capaz de infectar os neurônios maduros”, explicou Okamoto.

Segundo o cientista, o fato do vírus da zika não afetar os neurônios maduros é crucial do ponto de vista da segurança, já que a destruição de neurônios saudáveis seria uma barreira para o uso do vírus em uma futura terapia contra o câncer cerebral.

“Mostramos que o vírus tem propriedade oncolítica, isto é, ele é capaz de atacar preferencialmente as células tumorais, preservando as células normais do mesmo tecido. Essa linha de estudos é bastante nova e nosso estudo é o primeiro com o vírus da zika a mostrar resultados em células humanas”, disse o pesquisador.

Okamoto conta que as propriedades oncolíticas já haviam sido observadas em outros vírus e a estratégia do uso de vírus como “arma” contra o câncer já é uma realidade.

Em 2015, a FDA – a agência americana responsável pela regulação de fármacos, terapias e alimentos – aprovou um tratamento que utiliza uma forma modificada do vírus da herpes para tratar melanoma.

No ano passado, quando os cientistas brasileiros já haviam enviado o novo artigo para publicação, um grupo de cientistas americanos publicou um estudo que também mostrou como o vírus da zika destrói células de glioblastoma – outro tipo de câncer cerebral -, mas o estudo foi feito sem o uso de células humanas.

“O estudo sobre o glioblastoma é importante, porque é um tipo de câncer agressivo que carece de tratamento. Mas o estudo não foi feito com células de tumores humanos – e sim com células de tumores de camundongos, que respondem de forma diferente”, disse Okamoto.

Como foram utilizadas células de tumores humanos nos camundongos, o estudo brasileiro conseguiu demonstrar não apenas que o vírus da zika consegue reduzir os tumores, mas também inibir a metástase. No caso do glioblastoma, a metástase é rara, já que o paciente costuma morrer antes que o tumor se alastre.

“Outra novidade importante do nosso estudo é que pela primeira vez foi feito um estudo de escalonamento da dose. Isto é, nós adicionamos quantidades crescentes do vírus às células tumorais para descobrir qual é a quantidade mínima capaz de promover a infecção. Verificamos que uma dose do zika 50 vezes menor que a utilizada pelos americanos já é suficiente para eliminar os tumores”, explicou Okamoto.

O estudo brasileiro também mostrou que depois de atacar as células-tronco tumorais, o vírus da zika não consegue se reproduzir com eficiência – o que evitaria que os pacientes tratados contra o câncer ficassem doentes com a infecção viral.

“Normalmente, quando um vírus infecta uma célula, ele sequestra sua maquinaria para se replicar e depois libera uma quantidade imensa de partículas virais que irão infectar outras células. Mas descobrimos que, por algum motivo, o vírus não consegue se replicar de forma eficiente na célula de câncer, porque as partículas virais produzidas são defeituosas, com pouca capacidade para destruir células normais.”

Fonte: EXAME

13/03/2018

Fumar maconha apenas 5 vezes na adolescência já aumenta risco de psicose, segundo estudo

Fumar maconha pode não ter os mesmos efeitos para todo mundo e, quando o início do hábito começa na adolescência, é ainda mais prejudicial.

E não precisa de muito: fumar cannabis apenas cinco vezes na vida, quando o indivíduo ainda é adolescente, aumentam-se os riscos de desenvolver psicose — desordem mental na qual o indivíduo perde o contato com a realidade. É o que atestam novas descobertas lideradas por pesquisadores finlandeses, da Universidade de Oulu.

Tais estudos apoiam uma série de evidências que mostram que, consequentemente, a cannabis pode até aumentar o risco de suicídio.


“Nossas descobertas estão em consonância com as visões atuais sobre o uso pesado de cannabis, particularmente quando iniciadas em uma idade precoce, estando ligada a um risco aumentado de psicose”, comentou um dos pesquisadores do trabalho publicado no  The British Journal of Psychiatry. 

Especialistas afirmam um estudo nacional inglês, divulgado há dois anos, mostrou que o consumo de skunk (variação da cannabis com maior concentração de substâncias psicoativas) entre os jovens ingleses aumentou bastante e, tal fato, já está associado a pelo menos 1/4 de novos casos de algum tipo de psicose da população.

Detalhes do estudo

Mais de 6.000 voluntários entre 15 e 30 anos, foram acompanhados para avaliar o risco de doença. Os números estimam que cerca de 1% da população sofra de psicose, o que pode causar delírios, como ouvir vozes e levar a graves dificuldades.

Em estudo paralelo, que envolveu o estudante de doutorado Antti Mustonen, mostrou uma ligação entre fumar cannabis e progressão do desenvolvimento de psicose.

Mustonen, que trabalhou ao lado dos especialistas de Cambridge e Queensland, acrescentou: “Se possível, devemos nos esforçar para evitar o uso precoce da cannabis”.

Cigarro ligados à psicose

Um estudo separado, publicado na Acta Psychiatrica Scandinavica, mergulhou na ligação entre fumar cigarros e psicose. No trabalho, pesquisadores mostram dados de adolescentes que fumaram em média 10 cigarros por dia terem mais chances de sofrerem com psicose.

Tal risco também é aumentado se o tabagismo começar antes dos 13 anos, de acordo com a pesquisa, liderada pelo professor Jouko Miettunen. O profissional  explicou que os achados eram verdadeiros mesmo quando contabilizavam outros fatores que aumentavam o risco, incluindo histórico familiar da doença.

“Com base nos resultados, a prevenção do tabagismo adolescente provavelmente terá efeitos positivos sobre a saúde mental da população na vida adulta”, afirmou.

Ian Hamilton, professor de saúde mental na Universidade de York, disse à publicação MailOnline que tais achados eram “preocupantes” e o contrário também acontecia.

“Pessoas com problemas de saúde mental são mais propensas a fumar.  “Este estudo sugere que isso não é um acidente, pois fumar parece aumentar o risco de desenvolver sérios problemas de saúde mental, como psicose”, acrescentou.

Fonte: VEJA

02/03/2018

Sebastian Gallegos, o veterano norte-americano de guerra que comanda prótese do braço com sinais do cérebro

Um veterano de guerra norte-americano chamado Sebastian Gallegos recebeu uma prótese inovadora para substituir seu braço, que ele perdeu durante uma explosão no Afeganistão. A prótese, que custa US$ 110 mil, recebe os sinais do cérebro e se movimenta como se fosse o braço natural.

O fuzileiro naval agora tenta se adaptar ao novo aparelho robótico, tendo que reaprender funções que antes eram naturais para ele.

Como tudo aconteceu

Após a explosão na guerra que aconteceu no Afeganistão, Sebastian despertou para ver o sol de outubro cintilando na água, uma imagem tão adorável que ele achou que estava sonhando. Então algo chamou sua atenção, o arrastando de volta à dura realidade: um braço, boiando perto da superfície, com um elástico preto de cabelo em volta do seu pulso.

O elástico era uma recordação de sua esposa, um amuleto que ele usava em toda patrulha no Afeganistão. Agora, das profundezes de sua bruma mental, ele o observava flutuando como um pedaço de madeira em uma leve correnteza, preso a um braço que não estava mais ligado a ele.

Ele foi vítima de uma explosão e estava no fundo de uma vala de irrigação.

Dois anos depois, o cabo se vê ligado a um tipo diferente de membro, um dispositivo robótico com motor eletrônico e sensores capazes de ler sinais de seu cérebro. No consultório de sua terapeuta ocupacional, ele estava levantando e baixando uma esponja enquanto monitorava uma tela de computador, que rastreia os sinais nervosos em seu ombro.


"Fechar a mão", "levantar o cotovelo", são alguns comandos que ele agora diz para si mesmo. O braço mecânico levanta, mas a mão como garra abre, soltando a esponja. "Tente de novo", instrui a terapeuta. Mesmo resultado. De novo. Engrenagens minúsculas chiam e sua testa enruga com o esforço mental. O cotovelo levanta e desta vez a mão permanece fechada. Ele respira aliviado.

Sucesso.

"Como um bebê, você pode segurar um dedo", disse o cabo. "Eu tenho que reaprender."

Imagina só você tendo que reaprender a mexer com as mãos para fazer basicamente tudo o precisa? Não é uma tarefa fácil. Dos mais de 1.570 militares americanos que tiveram braços, pernas, pés ou mãos amputados por ferimentos no Iraque ou Afeganistão, menos de 280 perderam membros superiores. As dificuldades deles no uso de próteses são em muitos aspectos muito maiores do que para aqueles que perderam membros inferiores.

Entre os ortopedistas, há um ditado: as pernas podem ser mais fortes, mas braços e mãos são mais inteligentes. Com um grande número de ossos, juntas e riqueza de movimento, os membros superiores estão entre as ferramentas mais complexas do corpo. Reproduzir suas ações com braços robóticos pode ser extremamente difícil, exigindo que os amputados entendam as contrações distintas dos músculos envolvidos em movimentos que antes faziam sem pensar.

Dobrar o braço, por exemplo, exige pensar na contração de um bíceps, apesar do músculo não existir mais. Mas o pensamento ainda envia um sinal nervoso que pode dizer à prótese para dobrar. Toda ação, de pegar um copo a virar as páginas de um livro, exige algum exercício do cérebro.

"Há muita ginástica mental com as próteses de membros superiores", disse Lisa Smurr Walters, a terapeuta ocupacional que trabalha com Gallegos no Centro para os Intrépidos, do Centro Médico Brooke do Exército, em San Antonio.


A complexidade dos membros superiores, entretanto, é apenas parte do problema. Apesar da tecnologia das próteses de pernas ter avançado rapidamente na última década, as próteses de braços têm sido mais lentas. Muitos amputados ainda usam ganchos movidos pelo corpo. E os braços eletrônicos mais comuns, dos quais a União Soviética foi pioneira nos anos 50, melhoraram com os materiais mais leves e microprocessadores, mas ainda são difíceis de controlar.

Aqueles que perdem membros superiores também precisam lidar com a perda crítica das sensações. O toque –a habilidade de diferenciar uma pele de bebê de uma lixa ou de dosar a força para segurar um martelo ou dar um aperto de mão– deixa de existir.

Por todos esses motivos, quase metade daqueles que perdem membros superiores optam não pelo uso de uma prótese, mas por seguir em frente com apenas um braço. Em comparação, quase todos aqueles que perdem membros inferiores usam próteses.

Mas Gallegos, aos 23 anos, faz parte de uma pequena vanguarda de militares amputados que está se beneficiando com os novos avanços na tecnologia de membros superiores. Neste ano, ele foi submetido a uma cirurgia pioneira conhecida como reenervação muscular seletiva, que amplifica os sinais nervosos minúsculos que controlam o braço. Na prática, a cirurgia cria "soquetes" adicionais, nos quais os eletrodos da prótese podem ser conectados.

Um maior número de soquetes lendo sinais mais fortes tornará o controle de sua prótese mais intuitivo, disse o dr. Todd Kuiken, do Instituto de Reabilitação de Chicago, que desenvolveu o procedimento. Em vez de ter que pensar em contrair tanto o tríceps quanto bíceps apenas para fechar a mão em punho, o cabo poderá apenas pensar "fechar a mão" e os nervos apropriados poderão ser ativados automaticamente.

Nos próximos anos, nova tecnologia permitirá aos amputados sentir com suas próteses ou usar programas de reconhecimento de padrões para movimentar seus dispositivos mais intuitivamente, disse Kuiken. E um novo braço em desenvolvimento pelo Pentágono, o DEKA Arm, é muito mais hábil do que o atualmente disponível.

Mas para Gallegos, controlar sua prótese de US$ 110 mil após a cirurgia de reenervação continua sendo um desafio e provavelmente exigirá mais meses de exercícios tediosos. Por esse motivo, apenas os amputados mais motivados –superusuários, como são chamados– são autorizados a receber a cirurgia.

Gallegos nem sempre foi assim

Seu pai, um veterano do Exército, não queria que ele ingressasse na infantaria, mas seu filho era como ele, teimoso e acabou ignorando o conselho.

Gallegos cresceu no Texas, criado na pobreza principalmente por sua mãe divorciada. Ele era inteligente, ambicioso e um pouco sabe-tudo, disse sua esposa, Tracie, que cursou o colégio com ele. Uma bolsa universitária parecia certa. Mas a ideia do serviço militar falou mais alto.

"Eu sentia que era imaturo demais para ir à escola e ser um moleque na faculdade", ele disse.

O Corpo de Fuzileiros Navais (Marine Corps, em inglês) parecia ser o desafio perfeito.

Ele amava a corporação e a corporação parecia amá-lo. Antes de ser enviado para o campo de batalha em 2010, ele foi nomeado líder de uma equipe de três e enviado para aprender pashtu básico, a língua do maior grupo étnico do Afeganistão.

Sua unidade, a Companhia Lima do 3º Batalhão, 5º dos Fuzileiros Navais, saiu do Campo Pendleton, chegou à província de Helmand em setembro daquele ano e imediatamente enfrentou alguns dos combates mais duros da guerra, que resultaram na perda de 25 homens em sete meses, a maioria por artefatos explosivos improvisados, ou AEIs.

Em outubro, Gallegos, estava caminhando na segunda posição em uma patrulha pelo distrito de Sangin quando pisou em um canal de irrigação, ouviu uma explosão e apagou. Quando despertou, ele se viu ancorado no fundo por sua armadura e armamento. Ele tentou se soltar com seu braço direito, sem perceber que ele tinha sido virtualmente partido abaixo do ombro.

No helicóptero de evacuação, o cabo vislumbrou seu braço intacto envolto em bandagens, o que lhe deu esperança de que os médicos conseguiriam reimplantá-lo.


Essa esperança acabou no Centro Médico Brooke do Exército, onde ele deu início ao longo processo de recuperação. Sua postura, ele reconhece agora, foi negativa, influenciada por outro marine que raramente usava sua prótese porque a considerava muito desconfortável.

Mas então Gallegos conheceu um amputado da Força Aérea que foi um dos primeiros em Brooke a receber a cirurgia de reenervação muscular seletiva. O aviador o alertou que a reabilitação seria frustrante e dolorosa, mas que a recompensa seria imensa.

"Não dava para perceber, a menos que olhasse atentamente para ele, que ele não tinha o braço", disse Gallegos. "Então pensei: 'Eu quero ser melhor do que ele'."

Primeiro, entretanto, ele teve que aprender a lidar com a dor do membro fantasma. Uma sensação pulsante como a de ter um torniquete apertado no braço, a dor às vezes é forte o bastante para manter o cabo preso à cama, o que o deixa incapaz de se concentrar ou conversar.

"Ele vive com dor constante", disse Tracie Gallegos, que está cursando enfermagem. "Mas ele não se queixa, porque não quer que as pessoas perguntem: 'Você está bem?' Essa pergunta realmente o incomoda."

Com o passar do tempo, medicação e cirurgias reduziram a dor o suficiente para que ele voltasse a praticar com o braço robótico. Ele descobriu que o dispositivo é um enigma para o cérebro, frustrando seus esforços para fazê-lo obedecer. Mais de uma vez ele ameaçou atirá-lo pela janela.

Para motivá-lo nesses momentos, ele pensava em seus amigos marines. Ele então fez uma manga de silicone em tom de pele para sua prótese, gravada com os nomes de todos os 10 marines da Companhia Lima que morreram em Sangin. Agora, quando ele precisa de estímulo, ele olha para o braço – no local onde antes ele usava o elástico de cabelo de sua esposa– e recita todos os nomes deles como uma oração pessoal.


Quando ele começou a usar seus braços mecânicos por mais tempo a cada dia, seu protesista, Ryan Blanck, decidiu que Gallegos poderia estar pronto para a cirurgia de reenervação seletiva. O procedimento explora a capacidade natural dos músculos de amplificar os sinais nervosos. Ao redirecionar os nervos para os músculos saudáveis e redesenhar o tecido para deixá-los mais próximos dos sensores na prótese, o procedimento fortalece os sinais do cérebro e, consequentemente, a capacidade deles de controlar a máquina.

Ao usar o mesmo tipo de prótese que usava antes, Gallegos notou a diferença quase que imediatamente. Ele não mais precisava pensar tanto em contrair vários músculos: quando ele queria que o braço se movesse, ele se movia, mais rápido e com maior fluidez.

Mas isso não significava que ele se movia como ele queria. Ele ainda tem problemas com "linha cruzada", quando certos nervos falam mais alto que outros. Se um nervo do pulso domina, por exemplo, um paciente pode ter que pensar em virar o pulso para poder fechar a mão. Mas com o uso repetido, os nervos passam a se entender e a necessidade de artifícios desaparece, disse Kuiken.

Apesar de todos seus ganhos com a prótese, Gallegos não superou o embaraço que sente quando usa seu braço robótico em público. Certa vez a mão se soltou em um restaurante lotado, assustando uma criança próxima. No escuro do cinema, os sons como do Exterminador do Futuro de seu braço provocam sussurros surpresos. E até hoje ele não veste camisas de manga curta em restaurantes.

"Mesmo que esteja calor, eu visto uma jaqueta para evitar que olhem", ele disse.

Por um ano após quase se afogar no Afeganistão, Gallegos não conseguia se aproximar de água, qualquer que fosse, mesmo a River Walk, um calçadão margeado por restaurantes na margem do Rio San Antonio. Mas um terapeuta o ajudou a superar sua ansiedade, primeiro nadando, depois andando de caiaque e depois surfando.

Ben Kvanli, um ex-atleta olímpico que dirige um programa de caiaques para soldados inválidos, disse que Gallegos foi inicialmente um remador ambivalente. Mas sua técnica era boa, em parte porque a prótese o forçava a usar mais seus músculos principais. E ele era rápido.

Tão rápido que Kvanli o está encorajando a tentar participar da equipe nacional paraolímpica no ano que vem.

"Independência é uma grande parte disso", disse Kvanli. "Ele está provando algo."

Fortemente independente desde a infância, ele teve dificuldade com a perda da independência após perder seu braço. De repente, ele tinha que pedir ajuda com botões, zíperes e cadarços. E ele odeia pedir ajuda.

Há buracos na parede de sua sala de estar que testemunham suas tentativas fracassadas de pendurar coisas usando sua prótese. E ele ainda estremece com a lembrança de dar ordens para sua esposa enquanto ela montava os móveis da sala de estar que ele não podia montar.

"Ainda há muita coisa complicada", ele disse. "Eu ainda estou descobrindo dia a dia qual será o meu normal."

Por esse motivo, ele não faz mais grandes planos para o futuro, como fazia antes. Mantenha tudo simples, ele diz para si mesmo: saia da Corporação dos Marines. Vá para a faculdade. Aprenda a amarrar o sapato com uma mão robótica.

E talvez, apenas talvez, se torne um atleta paraolímpico.

Assim, lá estava ele em uma tarde recente, andando de caiaque no ensolarado Rio San Marcos, usando a prótese errada, porque ele quebrou sua prótese para caiaque enquanto surfava. Normalmente ele fica à frente do grupo, mas naquele dia seu braço ficava se soltando e ele parecia sentir dor ao se esforçar para acompanhar os demais.

Mas de sua boca não saiu nada que parecesse uma queixa. E ao final da viagem de seis horas, ele subiu os quatro metros da Graduation Falls, a primeira vez que o fez de barco. Após a queda vertical na água espumante, seu caiaque desapareceu momentaneamente antes de voltar à superfície como uma rolha.

Com olhar sorridente sob a aba de se capacete, Gallegos remou até a margem, colocou seu barco no ombro bom e começou a caminhar penosamente rio acima. Ele não pediu ajuda, parece que dessa vez ele seguiu em frente.

Fonte: UOL
 
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